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Aug 15

Um ano depois

Todo mundo tem o momento turning point, quando um acontecimento muda absolutamente tudo na sua vida. Isso aconteceu comigo quando entrei na faculdade. Também quando acabou meu primeiro namoro. E há um ano, quando minha mãe morreu. Com certeza, este acontecimento não tem nem comparação em relação aos outros: é ele quem lidera a lista dos ‘momentos turning point da minha vida’. Por mais que eu tenha conquistado tantas coisas no ano passado, ele ainda será marcado como o ano em que minha mãe morreu. Ponto.

Um ano não parece ser muito tempo para a maioria das pessoas, mas, para mim, parece que se passaram dez anos. Tive de me entregar muito à terapia pra conseguir pelo menos ter vontade de levantar da cama. E também descobri coisas que pessoa nenhuma deveria ter de saber. Como, por exemplo, que você tem de pagar pra colocarem uma lápide e uma placa com o nome do morto no cemitério, além de pagar pelo túmulo em si. Ou que é extremamente caro mudar o nome na escritura de um imóvel, mesmo quando a pessoa morre. É tanta coisa ruim que amadureci à força, decepção atrás de decepção.

Lembro que o que mais passava pela minha cabeça era o desespero ao pensar no futuro. Como a minha vida seguiria sem minha mãe? Não descobri e nem sei se descobrirei, só sei que segue. Tem de seguir, não existe escolha. Assim como a dor nunca passa. Ela só encontra um lugar pra não incomodar tanto. Há um ano, eu chorava só de falar nela. Hoje, eu choro quando falo demais dela. Então evito.

Aprendi a pensar mais em mim, a viver mais e a dar mais valor ainda pras pessoas em minha volta, que me deram tanto carinho que me senti acolhida. Talvez eu tenha também aprendido a não me entregar tão facilmente aos momentos de desespero. Mas com certeza aprendi que das tragédias saem as melhores lições de vida, desde que a gente saiba lidar com elas. Evidentemente, preferia não ter de amadurecer assim a força. Nem imagino como seria minha vida se minha mãe ainda estivesse viva. Provavelmente mais colorida, menos cínica, menos deprimente. Mas não me foi apresentada uma opção, então lido com o que tenho. E hoje o que tenho é um buraco gigante no coração que sempre vai ser o espaço dela.