Outro dia estava me preparando par dormir, olhando as últimas atualizações do Facebook para ter aquela noite de sono tranquila, atualizada sobre as fofocas que as pessoas da rede social querem socializar, afinal de contas. Uma noite como qualquer outra. Mas estava lá nas notificações minha inclusão num grupo cujo tema é: GDV 1998. Pra você isso não deve significar nada, mas pra mim é como se tivessem aberto as portas do inferno e me jogado lá dentro. GDV significa Guilherme Dumont Villares, a escola onde estudei dos sete aos 17 anos. Mas, além de estudar, também fiz outras coisas: não fui popular, não era cheia de amigos, não estava em primeiro plano quando as pessoas resolviam levar a máquina fotográfica da família com o filme de 12 poses que roubaram da escrivaninha do pai. Eu não sorria nas fotos em grupo, eu não conversava com garotos. Mas era uma pessoa bem requisitada quando o assunto incluía passar cola ou colocar o nome no trabalho em grupo. Na hora de escrever as respostas da prova em grupo eu era a primeira a me candidatar porque gostava de escrever.
Nesses dez anos, eu me sentia presa numa máscara que eu mesma moldei para mim. A máscara da menina estudiosa e emburrada. Sendo estudiosa e emburrada, os meninos não me zoavam. Naquela época, eles zoavam, não praticavam bulling, sabe? Eu não fazia nada para evitar minhas fobias sociais e agora começo a pensar em como mudei. Primeiramente, me sentia presa estando na mesma escola há dez anos. Presa a uma máscara que eu não conseguia tirar. Naquela época, transformação pessoal não estava no cardápio. Mas foi entrando na faculdade que me permiti ser outra pessoa, sem pensar em quem eu estaria decepcionando, ou mesmo em de quem eu chamaria atenção.
Meu principal objetivo na época da escola era passar despercebida. Não queria que ninguém me visse, basicamente, e é por isso que me perturba um pouco ver essas pessoas interagindo entre si. Era perceptível como eu ODIAVA estar ali. Tenho certeza que elas mal sabem como interagir comigo hoje em dia porque nunca permiti esse tipo de coisa. Entre esse grupo de pessoas, vou escolher me comportar como fazia há 15 anos: vejo, mas não quero que reparem em mim. É como um passado que, diferentemente das pessoas que exageram nos pontos de exclamação e reticências comentando as fotos nas quais não apareço acidentalmente, prefiro não mexer.
Uma pessoa postou algo como “era a melhor época da minha vida” e senti pena dessa pessoa. Quero dizer, eu realmente acho que despertei pra vida depois que entrei pra faculdade. Se naquela época ela se divertia mais do que me diverti depois que saí da escola, ou ela estudou na escola de ‘Picardias Estudantis’ (e ninguém me avisou que o GDV era como a escola de ‘Picardias Estudantis’) ou a vida não anda fácil pra ela. Acredito de verdade que a segunda opção seja mais plausível.