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Oct 1

Mulherzinha

Anos e anos de luta feminista fazem isso com a gente. A gente cresce querendo independência, se orgulha por ter uma carreira e de não precisar vestir uma lingerie para contar pro marido que o limite do cartão de crédito está estourado porque quem paga as contas não é homem nenhum. Só que faltou um detalhe nessa busca pela independência: como fazer quando o chuveiro pega fogo?

Exato.

Sexta eu estava tomando banho e, há alguns dias, vinha sentindo um cheiro de queimado no chuveiro. Ou seja, sabia que uma hora o pior aconteceria, mas preferia não pensar nisso - coisa que faço na maioria das vezes em que me deparo com um problema. Daí, sexta, olhei pro fio e ele estava pegando fogo. Quase sufocada com a fumaça, me contentei com meio banho e saí desesperada pensando: e agora?

Quando eu compro um móvel, tento montar sozinha. Agora, quando o chuveiro pega fogo, não sei nem por onde começar. Mas eis que um rapaz muito do legal que foi criado tendo noções de elétrica e tals me ajudou nessa empreitada. Naquela hora, desencanei de tudo que penso sobre independência porque simplesmente não fui criada tendo noções de elétrica. Ponto. Então, resolvi abrir mão da dureza de mulher independente o tempo todo e admitir que às vezes é bom ter um homem em casa. Porque tem coisas que a gente não consegue fazer. Pode contratar profissionais e tals, evidentemente, mas essa atenção gratuita é o tipo de coisa que meu lado mulherzinha ama.


Aug 15

Um ano depois

Todo mundo tem o momento turning point, quando um acontecimento muda absolutamente tudo na sua vida. Isso aconteceu comigo quando entrei na faculdade. Também quando acabou meu primeiro namoro. E há um ano, quando minha mãe morreu. Com certeza, este acontecimento não tem nem comparação em relação aos outros: é ele quem lidera a lista dos ‘momentos turning point da minha vida’. Por mais que eu tenha conquistado tantas coisas no ano passado, ele ainda será marcado como o ano em que minha mãe morreu. Ponto.

Um ano não parece ser muito tempo para a maioria das pessoas, mas, para mim, parece que se passaram dez anos. Tive de me entregar muito à terapia pra conseguir pelo menos ter vontade de levantar da cama. E também descobri coisas que pessoa nenhuma deveria ter de saber. Como, por exemplo, que você tem de pagar pra colocarem uma lápide e uma placa com o nome do morto no cemitério, além de pagar pelo túmulo em si. Ou que é extremamente caro mudar o nome na escritura de um imóvel, mesmo quando a pessoa morre. É tanta coisa ruim que amadureci à força, decepção atrás de decepção.

Lembro que o que mais passava pela minha cabeça era o desespero ao pensar no futuro. Como a minha vida seguiria sem minha mãe? Não descobri e nem sei se descobrirei, só sei que segue. Tem de seguir, não existe escolha. Assim como a dor nunca passa. Ela só encontra um lugar pra não incomodar tanto. Há um ano, eu chorava só de falar nela. Hoje, eu choro quando falo demais dela. Então evito.

Aprendi a pensar mais em mim, a viver mais e a dar mais valor ainda pras pessoas em minha volta, que me deram tanto carinho que me senti acolhida. Talvez eu tenha também aprendido a não me entregar tão facilmente aos momentos de desespero. Mas com certeza aprendi que das tragédias saem as melhores lições de vida, desde que a gente saiba lidar com elas. Evidentemente, preferia não ter de amadurecer assim a força. Nem imagino como seria minha vida se minha mãe ainda estivesse viva. Provavelmente mais colorida, menos cínica, menos deprimente. Mas não me foi apresentada uma opção, então lido com o que tenho. E hoje o que tenho é um buraco gigante no coração que sempre vai ser o espaço dela.


Jul 22

Já que comecei, agora sigo em frente com a hemorragia verborrágica. É assim: tenho de aproveitar quando consigo sentar a buzanfa na cadeira e pensar em assuntos para dissertar neste espaço às moscas.

Pode ser que eu já tenha escrito sobre isso, mas, quando minha mãe morreu (há quase um ano – nossa, como o tempo passa bizarramente rápido!), descobri esse clube no qual ninguém pede pra ser membro. É o que eu chamo de clube do ‘eu sei o que você está passando’. Quando você perde alguém muito próximo que você ama demais, você vira membro honorário. Quando coisas assim acontecem com gente ao seu redor, você pode se identificar dizendo ‘eu sei o que você está passando’. E você realmente sabe o que é. A pessoa vai agradecer e vai passar isso adiante. Porque, embora cada um sinta esse tipo de dor de forma diferente, a situação acaba sendo extremamente deprimente pra todo mundo. E na depressão todo mundo tem mesmo de dar a mão e se ajudar.

Vendo ‘Trilhas Sonoras de Amor Perdidas’, foi exatamente nisso que pensei. Ao ver o protagonista, minha vontade era sacar a carteirinha do clube. As pessoas falam isso para as outras mais para dizer: eu sei o que você está passando e o mundo não acabou. Porque é essa a sensação que você tem. De repente, não há mais nada o que fazer além de chorar. E, sinceramente, eu tinha dificuldades de imaginar como minha vida ficaria sem minha mãe. E mudou tudo, não há dúvidas. Ainda estou me adaptando à nova função que tenho na vida do meu pai, me adaptando ao amadurecimento forçado ao longo desses meses, à falta fudida que sinto dela, em geral.

Mas eu queria falar da peça.

Bem, basicamente, fiquei incrivelmente deprimida por que a história toca duas partes sensíveis em mim. Três, vai: amor, morte e cultura. É uma peça sobre esses três temas, basicamente, então não tinha como eu não me identificar. Sim, o protagonista fala demais pro meu gosto. Não sei se seria grande amiga dele, porque chega uma hora que enche o saco o cara citar uma música a cada frase e situação que ocorra. Mas não consigo evitar essa ligação carinhosa não somente por ele ser um Rob Fleming sem ter esse nome em seus cartões de visita, mas por ele pertencer a esse clube dos corações tristes o qual mencionei anteriormente. Além disso, ele ama intensamente até a ideia de amar, além de amar intensamente os filmes e as músicas.

E as FITAS. Nossa, como eu amava fitas. Não tinha download nem nada na época das fitas, a gente grava CDs das amigas, gravava músicas do rádio e ficava feliz. ‘Trilhas Sonoras de Amor Perdidas’ é cansativo, mas é tão cheio de paixão e de dor que é impossível não se sentir nocauteado, pensando nas últimas três horas com certa atenção, pelo menos.


Outro dia estava me preparando par dormir, olhando as últimas atualizações do Facebook para ter aquela noite de sono tranquila, atualizada sobre as fofocas que as pessoas da rede social querem socializar, afinal de contas. Uma noite como qualquer outra. Mas estava lá nas notificações minha inclusão num grupo cujo tema é: GDV 1998. Pra você isso não deve significar nada, mas pra mim é como se tivessem aberto as portas do inferno e me jogado lá dentro. GDV significa Guilherme Dumont Villares, a escola onde estudei dos sete aos 17 anos. Mas, além de estudar, também fiz outras coisas: não fui popular, não era cheia de amigos, não estava em primeiro plano quando as pessoas resolviam levar a máquina fotográfica da família com o filme de 12 poses que roubaram da escrivaninha do pai. Eu não sorria nas fotos em grupo, eu não conversava com garotos. Mas era uma pessoa bem requisitada quando o assunto incluía passar cola ou colocar o nome no trabalho em grupo. Na hora de escrever as respostas da prova em grupo eu era a primeira a me candidatar porque gostava de escrever.

Nesses dez anos, eu me sentia presa numa máscara que eu mesma moldei para mim. A máscara da menina estudiosa e emburrada. Sendo estudiosa e emburrada, os meninos não me zoavam. Naquela época, eles zoavam, não praticavam bulling, sabe? Eu não fazia nada para evitar minhas fobias sociais e agora começo a pensar em como mudei. Primeiramente, me sentia presa estando na mesma escola há dez anos. Presa a uma máscara que eu não conseguia tirar. Naquela época, transformação pessoal não estava no cardápio. Mas foi entrando na faculdade que me permiti ser outra pessoa, sem pensar em quem eu estaria decepcionando, ou mesmo em de quem eu chamaria atenção.

Meu principal objetivo na época da escola era passar despercebida. Não queria que ninguém me visse, basicamente, e é por isso que me perturba um pouco ver essas pessoas interagindo entre si. Era perceptível como eu ODIAVA estar ali. Tenho certeza que elas mal sabem como interagir comigo hoje em dia porque nunca permiti esse tipo de coisa. Entre esse grupo de pessoas, vou escolher me comportar como fazia há 15 anos: vejo, mas não quero que reparem em mim. É como um passado que, diferentemente das pessoas que exageram nos pontos de exclamação e reticências comentando as fotos nas quais não apareço acidentalmente, prefiro não mexer.

Uma pessoa postou algo como “era a melhor época da minha vida” e senti pena dessa pessoa. Quero dizer, eu realmente acho que despertei pra vida depois que entrei pra faculdade. Se naquela época ela se divertia mais do que me diverti depois que saí da escola, ou ela estudou na escola de ‘Picardias Estudantis’ (e ninguém me avisou que o GDV era como a escola de ‘Picardias Estudantis’) ou a vida não anda fácil pra ela. Acredito de verdade que a segunda opção seja mais plausível.


Jul 11

Acho que to envolvida demais com a história de Emma e Dexter do livro que to lendo, ‘Um Dia’. Tenho muito de Emma, principalmente nessa coisa platônica. Até grifei um techo do livro, o que raramente faço:

“Claro que ainda não tem um namorado, mas não se importa com isso. Às vezes, muito ocasionalmente, digamos às quatro horas da tarde de um domingo chuvoso, Emma se sente em pânico e quase não consegue respirar com a solidão. Uma ou duas vezes se surpreende tirando o telefone do gancho para verificar se está funcionando. Às vezes pensa como seria bom ser despertada por um telefonema no meio da noite: ‘pegue um táxi agora mesmo’ ou ‘preciso encontrar com você, nós precisamos conversar’. Mas na maior parte do tempo se sente como uma personagem do romance de Muriel Spark - independente, aficcionada por livros, inteligente e secretamente romântica.”


Jul 2
Pencas de bergamotas.  (Taken with instagram)

Pencas de bergamotas. (Taken with instagram)


Taken with instagram

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Jun 27

As férias acabaram há mais de um mês. Depois de Paris, ainda fui pra Londres, Berlim e Budapeste. Também fui ao Rio Grande do Sul no feriado. Etc. E parei de atualizar o tumblr. Nada mudou, no fim das contas, mas, já que entrei aqui para seguir o blog de uma nova amiga nesta rede social tão bonita, por que não escrever umas linhas?

Pensei em tantas coisas pra dizer que esqueci todas.


Jun 7
Japonese songs (Taken with instagram)

Japonese songs (Taken with instagram)


Jun 4
Hoje eu to de folga. (Taken with instagram)

Hoje eu to de folga. (Taken with instagram)


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